A INIMIGA

a-inimigaDepois do golpe me vejo numa luta de morte contra ela, tento de tudo, uso várias armas mas sinto que ainda estou longe de vencê-la.

Acordo e ela está lá, sempre, a postos, muda e transparente.

Só falta me dizer bom dia.

Mas a despeito de sua mudez e transparência eu a vejo e ouço, claramente.

Não é mera sensação (claro que também é isso) é presença física

Sem se mexerem, as paredes vibram-me sentido

Falam comigo sem voz de dizerem-me as cadeiras

A Múmia

 

 Ela não é sempre a mesma, contudo: ataca e recua. É muita ativa nos momentos do despertar e no fim do dia mas também ataca a qualquer hora, em qualquer lugar.

O café é uma boa arma: consumido, ela foge e se esconde.

Em torno das 6 da manhã, nesta época do ano na cidade de São Paulo começa a clarear e isto é bom porque decididamente ela, como vampiro, é criatura das trevas.

Saio em torno desta hora para passear de bicicleta e esqueço um pouco dela.

Volto para casa e lá está ela, à minha espera: maldita!

Mas nesta hora estou mais forte: começa o dia.

A INIMIGA

4 comentários sobre “A INIMIGA

  1. Odete Santelle disse:

    Que fazer contra essa tristeza que anuvia seus pensamentos? Gostaria de saber alguma coisa mágica pra te dizer, mas eu não sei. O que eu sei é que a vida também está aí, do seu ladinho querendo ocupar todos os espaços… É uma questão de ótica. Pareço ridícula falando de ótica para o mestre… Quer saber, a morte é mais que uma inimiga, ela é uma ladra, mas contra isso não há nada a fazer, a não ser esperar outro dia raiar com mais luz.
    Abraço
    Enviado do meu iPhone

    >

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  2. Lidia disse:

    Eu penso que enfrenta bem essa insolúvel questão este poema de José Régio, com o seu surpreendente otimismo nos últimos versos.

    Testemunho de Poeta

    Todo esse esforço e vão, amigos.
    Não sou dos que se aceita… A não ser mortos.
    Demais, já desisti de quaisquer portos.
    Não peço a vossa esmola de mendigos.
    O mesmo vos direis, sonhos antigos,
    De amor, olhos nos meus outrora absortos,
    Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
    Que fostes o melhor dos meus pascigos.
    E o mesmo digo a tudo e a todos, hoje
    Que tudo e todos vejo reduzidos.
    E ao meu próprio Deus nego e o ar me foge.
    Para reaver, porém, todo o Universo
    E amar e crer e achar os meus mil sentidos
    Basta o gesto de contar um verso.

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