A LUZ NO FIM DO TUNEL

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Para o dia 9 de março de 2016 faltam alguns poucos dias, mas medir a vida em datas redondas, repito, é apenas um rito, um marco arbitrário.

Vamos lá… quem sou eu para des-ritualizar o quer que seja quanto mais estes 365 dias que se passaram desde que teus grande olhos verde-azuis não olham mais.

Eu, no entanto, vejo-os na tela do computador todos os dias olhando fixamente para mim.

Portas uma blusa roxa mais aqueles brincos de cigana e estás sentada em uma cadeira cor de laranja na cantina da Escola de Trabalho Social de Granada, com um singelo copo de café com leite à tua frente.

Sorris, levemente e teu ombro esquerdo guarda uma bolsa preta a tira colo.

A mão direita fazendo um ângulo de 90 graus pousa sobre a esquerda, vendo-se nesta uma aliança.

Janelas, cadeiras de plástico dispersas, tubos coloridos aderidos a paredes levemente amarelas e portadores de alguma coisa comunicante, compõe a cena. Discretamente, quase apagado por um fundo claro vê-se, no espaço de fora da cantina, a perna de um homem sentado e ramagens dispersas

Não, não se trata de qualquer coisa parecida com uma natureza morta porque nada há de natural na cena (vamos supor ramagens de plástico) desde a tela do computador até todo o conteúdo da mensagem visual e nem estás morta porque um morto não olha assim para a gente.

Diria ao contrário que em vez de Natureza Morta temos Cultura Viva.

De noite eu apago a tela e ai vamos os dois dormir, cada um na sua respectiva dimensão, o sono dos justos.

Devo confessar, querida, que preciso ainda tomar uns comprimidinhos para ter direito aos “braços de morfeu”.

A tela marca 19:41 de uma segunda feira dia 22 de fevereiro de 2016.

Confissão final: monto todos os dias, religiosamente, a mesa do café da manhã com dois pratinhos, duas xícaras, uma faca e uma colher de chá, tudo da mesma forma e cor.

Mas, perdoe-me, quando alguém aparece e vai me pegar em flagrante escondo rapidamente a farsa; mas isso dificilmente acontece porque, como você sabe muito bem, sempre fui um madrugador.

Até amanhã, no café.

A LUZ NO FIM DO TUNEL

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