A ILHA

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Para Roberto Lent e Cilene Vieira

Uma casa é sempre uma subtração de um pedaço da natureza. No nosso caso isso ficou evidente porque antes dela havia apenas um pedaço da mata atlântica.

Então subtraímos um pedaço do pedaço mas deixamos bastante sobra de mata.

O suficiente para que dela vivam, hoje, fevereiro de 2016, micos, tucanos, esquilos, entre outros bichos não humanos nem domesticados.

Eu também vivo dela: meu almoço consistiu, neste dia 6 de fevereiro, longe do carnaval, em um omelete feito com os ovos das galinhas que aqui habitam e meu banho veio da água do poço devidamente aquecida pela energia solar.

Dentro, é uma casa desassombrada porque não a povoa o fantasma de quem também foi sua dona. Os fantasmas são sombras que não nascem da luz ou da claridade e por isso quando habitam uma casa diz-se que ela é mal assombrada ou seja que suas sombras vem do mal, ou seja, das trevas.

Portanto não é absolutamente o caso.

Ela foi nossa e hoje continua sendo da família:  do pai, seus 5 filhos e quatro netos, das galinhas, do sol, do caseiro Aparecido, dos macaquinhos, da água que nela brota, dos cachorros.

Enfim de uma comunidade.

Com sua (e minha) guerra, Ana, conquistamos esse pedaço da mata atlântica e instalamos nele uma ilha (como tinham-me ensinado errado no colégio): um pedaço de cultura cercado de natureza por todos os lados.

E de tanto ouvirem Mozart é capaz dos macaquinhos conseguirem transmitir este caractere adquirido para seus descendentes.

A ILHA

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