OS BRANCOS CORREDORES

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Quando você soube da doença, Ana, eu desapareci da sua vida e ficou um desesperante vazio entre nós já que só a tua dor te interessava. Teus olhos grandes viraram para dentro de você. Você morreu antes de morrer.

Sobrou o silêncio branco dos corredores dos hospitais e eu transportando algo que já não parecia mais ter vida.

Janeiro, Fevereiro e Março de 2015 andamos (mais eu que você) buscando recuperar uma vida já perdida por antecipação sem que houvesse um comunicado oficial, sem qualquer informação sobre a inutilidade de tudo aquilo.

Quantos papeis assinamos, quantos tickets inúteis de estacionamento!

A morte durante vida é branca sim, como os papeis das receitas, como o uniforme dos médicos, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas, como os lençóis dos leitos: tudo muito limpo de vida.

O negro não é a morte, é a luz dos sonhos, pesadelos e até dos desejos proibidos.

Para quem morre a morte não tem cor porque é o nada.

Assim sendo, porque quero viver, não posso ver a vida em branco e preto.

OS BRANCOS CORREDORES

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