TEM DIAS…

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 Preciso ser sincero, pelo menos comigo mesmo.

Tem dias (hoje por exemplo) que sinto muita vontade de morrer.

É difícil falar disso, é difícil mesmo pensar nisso mas é preciso por para fora.

São dias que custam a passar, as horas pesam, olho o relógio e fico vendo minha vida passar minuto a minuto.

Penso neste mantra tão ouvido: vencer cada dia, e esse é um daqueles típicos “cada dia”.

O que fazer para vencê-lo?

Quando sobrevém um destes dias infernais o que os torna de fato infernais é imaginar que daqui para frente todos os meus dias serão “cada dia” o que é totalmente insuportável.

Penso no drama do alcoólatra ou do drogado que tem isso como programa: vencer cada dia a vontade de se envenenar!

Porque esta minha vontade de morrer não é a mesma coisa, claro, é muito menos instintiva, menos corporal, não é aquela coisa do impulso suicida.

É perfeitamente resistível.

É nada mais que um cansaço, um forte cansaço da vida.

Preciso fazer alguma coisa, qualquer coisa.

TEM DIAS…

3 comentários sobre “TEM DIAS…

  1. Odete Santelle disse:

    Nossa, espero que vc já esteja melhor!
    Me lembrei da letra de uma música… “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, … Roda mundo, roda pião, “… Esqueci…
    Fica bem, tem muita coisa bela para se contemplar na natureza. Força!

    >

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  2. Lidia disse:

    Faulkner dizia que escrevia porque não sabia fazer outra coisa. Nietzsche, diante de uma uma pergunta semelhante (por que você escreve?) respondeu: “para não pensar na morte durante 24 horas por dia”. Ponderam alguns, conhecedores do pensamento do filósofo, que isso talvez signifique que, para ele, escrever é viver. Ou melhor, escrever é esquecer a trágica finitude da condição humana.
    Essa declaração de Nietzsche me fez lembrar de outra, também dele: o conhecimento é uma ilusão, a única relação verdadeira do homem com o mundo é a estética. Assim, intuo que para esse filósofo a escrita– enquanto como obra de arte – nos remeteria à beleza e não à racionalidade árida.
    Para concluir: você, que tem o dom de escrever, pode exercê-lo tanto para se livrar da constatação compulsiva da finitude do homem, quanto para produzir beleza.
    Lidia
    .

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    1. A finitude do corpo enquanto finitude do homem é uma compulsão, por isso enquanto homem não consigo não escrever mas isso tem me feito muito bem. Se produz beleza é porque o que vejo refletido na água não sou mais eu mas o outro que pela via da liguagem comunga de meus sentimentos externalizados

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