O FARDO

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Na alma meu corpo pesa-me

(Pessoa, a Múmia)

Sinto que carrego um fardo.

Conseguirei um dia carregar um corpo cuja alma pese menos?

Me esforço nessa direção mas não é fácil!

Qual o tamanho do túnel? (veja o post Tunel no Fim da Luz).

Na realidade não existe, previamente, um túnel no fim da luz, o que existe é um processo diário de construção dele, sem “tatuzão”, com a mão mesmo (e com a cabeça).

Meu túnel tem hoje (setembro de 2015) 6 meses e 6 dias de comprimento.

Se o furo (quase) todos dias é porque acredito que preciso desta tarefa para sobreviver e que há uma expectativa de luz no fim do túnel e mesmo que há um fim dele, onde haveria a luz

Tudo é, pois, obrigação e crença.

Vou deixando pelo caminho um centilitro do peso que carrego a cada centímetro ganhado no ato de cavar o túnel mas o fardo continua pesado.

E o que complica as coisas nestas metáforas é que, há bem dizer a verdade, só sei que o fardo pesa mas para fazê-lo ficar mais leve tenho que decifrar o que há dentro dele que o torna tão pesado, já que, infelizmente, seu peso não é feito de feno, de pedra, de areia, de terra mas da matéria imponderável de que são feitos os afetos, lembranças, amores, ódios, amparos, desamparos, imagens, representações, medos.

O FARDO

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