REFLEXÕES SOBRE UMA CONSULTA TERAPÊUTICA

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Minha consulta de 10 de setembro com o terapeuta foi dramática, catárquica e significativa.

Posso tirar dela algumas lições.

Minha situação com a morte da Ana poderia levar a dois lutos

  1. O luto pela perda da pessoa amada
  2. O luto pela perda da “arrumadora” da minha vida

A perda da pessoa amada dispensa explicações já a “arrumadora” refere-se a um traço que tenho, junto com muitos homens, que é o de ser muito desorganizado na vida prática e ter uma companheira muito capaz e afeita a por “ordem na casa”.

Minha companheira fez isso quase trinta anos.

Então, caso eu tivesse que viver estes dois lutos ao mesmo tempo seria uma coisa extremamente violenta, insuportável: estar com uma vida cotidiana caótica, desarrumada e com a vida afetiva destroçada

Decidi me empenhar muito mais em “resolver” o luto da “arrumadora” e fiz todo um esforço nessa direção para dar um jeito na minha vida prática e até consegui razoavelmente.

Dado este jeito, entro em depressão e pânico porque dou de cara com o outro luto que, por não ser da ordem das coisas práticas, não tem uma solução no plano do fazer mas muito mais no acontecer (ou não acontecer).

Este pânico, que pode ser visto como uma disfunção química no cérebro não surge do nada, há uma interação entre Eu e o Corpo. Eu estou produzindo minha desregulação química. Ela não vem de fora de mim, ao acaso.

Mas tem alguma coisa a ver com o dia feio.

O mundo de fora não é uma metáfora: estou impedido pela chuva de buscar amor, paz de espírito, felicidade no mundo de fora e me vejo na solidão, nos espaços aprisionados do desamparo, do amor ausente.

Não há nada de prático a ser feito contra o desamparo.

O mundo de fora me remete para a solidão e ao mesmo tempo se fecha para mim.

Há que saber lidar com aquilo que está fora de nosso controle porque pertence ao mundo do acontecer ou não acontecer.

É possível “fazer acontecer”?

Quando se trata de um show, de uma performance, de um projeto, tudo bem.

Mas quando o assunto é a felicidade, a paz de espírito, a alegria depois de um Golpe como o que sofri, duvido muito.

Pode-se favorecer o acontecer dando-se uma “mãozinha” para o destino?

É útil acreditar que sim.

REFLEXÕES SOBRE UMA CONSULTA TERAPÊUTICA

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