OLHAR-SE (MESMO) NO ESPELHO

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Dias terríveis (me) acontecem, dispensam maiores explicações: simplesmente acontecem.

Hoje é um destes.

As vísceras choram.

Nada especialmente grave, apenas um dia sombrio, um feriado sem maior sentido para mim, hoje.

Chove um pouquinho.

Decido arrumar a casa; faço alguma coisa, é bom mas um clima cinza permanece e pesa.

Não vou perder a briga para a solidão!

O outro, seja marido, filho, companheiro, amigo, penso, é uma estratégia generalizada usada por todos, toda a vida, para não ter que enfrentar-se.

Por que isso de ver-se é tão difícil?

Tenho a impressão que as pessoas acompanhadas não olham para o espelho para ver-se mas para arrumar-se, para compor uma imagem para o outro.

Acho que ninguém consegue arrumar-se para si mesmo.

Isso que estou fazendo exatamente agora neste momento em que digito estas letras na tela do notebook, é claro, é produzir um espelho (espelhos podem ser feitos também de letras) para olhar-se.

E aí quando me vejo penso: olha só o que sobrou de mim!

Tenebrosa ideia! As coisas não podem ser assim…
É preciso trabalhar muito e firme para conseguir ver-se, entender o que vê e aceitar, com resignação e alegria.

OLHAR-SE (MESMO) NO ESPELHO

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