OS CÓDIGOS DO OLHAR PÚBLICO PAULISTANO

codigo-do-olhar-publico-paulistano_1Diferenças grandes de idade são coisas chocantes? Uma vidente me aconselha: cuidado! Se precisar de carne nova, compre.

Um pouco duro não?

Na qualidade de Monge Urbano envelhecido vejo (invejo?) a mulher jovem e seus belos contornos que passeia, em geral apressada, pela urbe.

E me deparo com o fato de que uma mulher, em São Paulo, Brasil, 2015, de qualquer idade, não pode olhar para um homem que passa, eu, por exemplo.

Há uma forte interdição internalizada, exercida automaticamente.

Por que isso?

Imagino que seja porque olhar para um homem que passa é por ele se interessar e tal interesse está necessariamente associado à sexualidade e a sexualidade à devassidão.

Não se aplica portanto a mulheres direitas.

Há locais apropriados para a mulher olhar um homem mas a rua ou a calçada pública não é um deles.

(Um homem, entre nós paulistanos, não pode igualmente olhar, na rua, para outro homem sem sugerir homossexualidade).

Segundo os códigos do olhar público, repito, paulistano, caso você cruze na rua, bem próximo de uma mulher ela muito provavelmente baixará o rosto para deixar muito claro que não deseja trocar olhares.

Um relance acontece mas é raro.

Ou tudo isso não é código nenhum (no melhor dos casos um sub-código) mas simplesmente uma recusa a olhar para um ser, digamos, não moço.

Não moços, ainda que portadores de um certo charme, não deveriam ser fonte de atração para moças, não é mesmo?

Elas, quando baixam o rosto devem estar pensando: ponha-se no seu lugar.

OS CÓDIGOS DO OLHAR PÚBLICO PAULISTANO

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