SÓ O SENHOR MESMO?

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O problema das minhas identidades é meu mas é profundamente irritante (as vezes esqueço do Monge: um Monge nunca se irrita…) o que ocorre, quase sempre, quando vou a um restaurante desconhecido.

“Só o sr. mesmo?” ou alguma fórmula equivalente é uma reação quase que espontânea de garçons.

Porque estar só num restaurante é tão ofensivo? Pergunto-me se em outras culturas ocorre o mesmo fenômeno.

É possível e mesmo provável que eu tenha cara de alguém que tem um par e que portanto não pode estar sem par.

E é verdade, não posso estar sem meu par mas estou, o que fazer?

Devo nas próximas vezes me antecipar aos garçons e entrar já falando, alto e bom som: “sou só eu mesmo, a minha mulher não pôde vir porque ela morreu”.

Evidentemente com tal comportamento bizarro chocarei qualquer garçom mesmo experiente, mas porque eles tem direito de me agredir com esta pergunta idiota e eu não tendo o direito de chocá-los com esta afirmação intempestiva?

Ora!

SÓ O SENHOR MESMO?

3 comentários sobre “SÓ O SENHOR MESMO?

  1. Dario disse:

    Quando quebrei o pé andava de muletas para as pessoas não baterem no meu pé… Qualquer esbarrão doía muito…
    Talvez os garçons estejam apenas fazendo uma pergunta técnica.
    Que tipo de mesa esse homem precisa?
    Só.
    Ela se tranforma porque vc esta ferido….
    Pode ser….

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    1. Voce tem razão mas pense um pouco como isso inevevitavelmente nos lembra a pessoa ausente. Não é claro culpa dos garçons é uma espécie de comportamento social automático; por isso mesmo acabo comendo de preferencia nos restaurantes que já me conhecem.
      Fico muito satisfeito de voce estar seguindo meu blog.
      Neste momento eu estou passando por um processo sério de depressão, dizem que se chama de luto tardio quando a pessoa realiza que perdeu q mulher que amava, tudo no íntimo da sua psicologia. Mas estou me tratando e acho que breve passará
      Um forte abraço a voce e a todos que seguem meu blog
      Fernando

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  2. Lidia disse:

    Como sou separada faz tempo, já me ocorreu, ao entrar em restaurantes (alguns ótimos, o que pressuporia um bom treinamento por parte dos garçons), ser recebida com essa surpreendente indagação. Confesso que não me sentia bem, quase estigmatizada.
    Aos poucos, fui me habituando a responder, sem agressividade, do seguinte modo: “só eu e Deus mesmo, pode haver melhor companhia?”. Numa sociedade teísta, a minha estratégia, independente de eu fazer ou não parte da categoria dos crentes, tem tido boa receptividade. Você vai arquitetar, estou certa, uma solução que o satisfaça.

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