O MONGE URBANO

um_monge_urbano_1O monge urbano, tal como entendo, poderia ser um tipo pós moderno.

Mas não me move, de jeito nenhum, a proposta de criação de qualquer tipo[1]; o que desejo, apenas, é me entender e organizar e acho que o Monge Urbano seria um instrumento para isso.

Evidentemente trata-se, no meu caso, de um perfil para o gênero masculino. A monja urbana pode ter alguns ou vários, ou mesmo todos estes atributos mas imagino que alguma coisa (a maternidade talvez) lhe seja própria.

O monge urbano no qual busco me espelhar é, claro, um Monge, um ser interiorizado, notoriamente avesso às aparências, que procura pairar sobre as circunstâncias imediatas e sobre a tensão e o cotidiano.

Por exemplo, gosto muito de ver e rever a história do Brasil e isso faz com que os conflitos atuais da política não me deixem ansioso como antes: promove um distanciamento muito agradável pelo conteúdo de repetição das coisas de hoje, tão semelhantes às de ontem.

Mas o Monge é Urbano, ou seja, o contexto que o envolve física, histórica e sociologicamente é a cidade (e não um convento Laociano).

Ele se move (preferivelmente a pé ou de bicicleta ou ainda de metrô) nas ruas, calçadas (horríveis as de São Paulo…) nas praças; frequenta cinemas, exposições e salas de concerto.

Um monge urbano não medita como o Laociano mas pensa, a todo instante: é um permanente refletidor. E o faz em busca da clareza, do entendimento, da condescendência, em suma da paz de espírito que pode advir da consciência das coisas e dos sentimentos.

Um monge urbano não pode se mocinho(a); deve, de preferência, já ter feito quase tudo o que devia no espaço que a vida lhe reserva.

(Antes de mais nada, ainda não sou estou apenas tentando me (re) construir como Monge Urbano).

Busco, nesta qualidade, me instituir como uma pessoa calma, gentil, cordial  (aquele que numa disputa de carros deixa o outro passar primeiro),  culta, familiar (ma non troppo), sociável (sem exageros).

O monge que almejo é também  um ser adequadamente informatizado, que considera que sexo na terceira idade é opcional, pode ser (mas obviamente não é obrigado) discretamente gay,  destituído de preconceitos grosseiros, criticamente de esquerda aceitando a direita não raivosa, razoavelmente viajado, não excessivamente preocupado com a aparência/vestuário, gosta (mas pode não gostar) de futebol, é leitor assíduo, aprecia bem pouco a tv, considera-se relativamente preocupado com o futuro da humanidade  mas situa-se longe do ecoterrorismo, prefere sair no carnaval para lugares menos agitados (opcional, aceita-se Banda de Ipanema), para ele a espiritualidade é vista como algo que é preciso ter em conta e (eventualmente) praticar e o facebook surge como um fato inconteste da pós modernidade a ser usado com cautela e parcimônia.

Ainda, o Monge Urbano busca, com força, afastar o ódio, desprezo, raiva, mágoa das pessoas que o desprezaram, odiaram, magoaram, enganaram. Não é fácil mas imprescindível: hei de conseguir!

Mas atenção: o Monge Urbano pode ser vítima de encantamentos fora de hora.

É o próximo post: é preciso usar um pouco a tática Sherazade  (a das Mil e Uma Noites não a outra)

[1] Este nome como pude verificar já existe na internet, inclusive como Urban Monk  sendo o Monge Urbano entendido, penso, muito mais como monge do que como urbano. De qualquer forma é um nome simpático e espero que os que o adotam, eu inclusive, façam bom uso dele.

O MONGE URBANO

6 comentários sobre “O MONGE URBANO

  1. Estou entrando na leitura do seu blog. Gosto de pegar do começo, acompanhando as matizes dos pensamentos e sentimentos…parece que esta foi a primeira crônica, a proposta do “Monge Urbano”. Uma descrição interessante de uma figura complexa: afável (aberta ao diálogo), mas firme em determinados princípios. Em síntese, simpática…

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  2. Entrei na leitura de seu blog. Gosto de ver do começo, acompanhando as matizes dos pensamentos e sentimentos … parece que é a primeira crônica, a proposta do “Monge Urbano”, descrevendo essa figura interessante e complexa: afável (buscando um diálogo de si para si e para o mundo) e apontando seus princípios e intenções…numa síntese, essa pessoa humana e muito simpática…

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  3. Realmente, os textos elevam o espírito, embora decorram de momento absurdamente triste… saber que existem pessoas (homens) com sentimentos fortes ajudam a encarar melhor a humanidade, algumas vezes tão carente de emoções sinceras.

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