Apresentação

depois-do-golpeEstes textos falam, entre outras coisas, sobre o que acabei virando como pessoa, sobre a solidão e o sofrimento, sobre os encontros e desencontros, sobre a doença e a morte e sobre a vida e seus projetos.

Isso é apenas uma classificação, talvez possa ajudar o leitor e perdoar certas redundâncias de assunto.

O que importa é que são, todos os textos, consequências de uma perda brutal que sofri no dia 9 de março de 2015 com a morte da minha companheira de 27 anos Ana Maria Cavalcanti Lefevre, inapelavelmente derrotada pelo câncer aos 67 anos.

Não sei o que as pessoas fazem quando uma tragédia como esta acontece, assassinando uma projeto bem amarrado de vida em comum.

Penso que tudo é valido em função da magnitude do drama.

Para mim foi muito útil escrever.

Fala Roland Barthes (exposição Casa das Rosas, São Paulo, julho de 2015)

 “Escrever sobre si mesmo pode parecer uma ideia pretensiosa; mas é também uma ideia simples: simples como uma ideia de suicídio”

Procurei uma escrita leve e curta para não cansar o leitor.

Algumas pessoas para as quais mostrei alguns textos gostaram, por isso achei que talvez publicá-los não fosse uma ideia demasiado extravagante.

Como escrever, para mim, é uma necessidade vital, um vício que cultivo desde os treze anos, vou procurar sempre estar trazendo uma novidade ou, segundo Barthes, um novo suicídio.

Peço apenas uma coisa a você que aqui se arrisca: não fique com pena deste viúvo porque estou tentando bravamente deixar de ter pena de mim:

Ter pena de si ou dos outros é um sentimento piegas e sobretudo inútil.

Quando você tem pena de si ou do outro, a pessoa da qual você tem pena acha que sofrer vale a pena e não vale.

Sofrer não é bom.

Por outro lado penso que não é necessário ser feliz; nada contra as pessoas que conseguem mas não é obrigatório mesmo porque na sociedade de consumo que todos vivemos os que aparecem felizes estão, muitas delas, fazendo comercial.

Acho que mais que a felicidade o que vale o esforço é buscar a paz de espírito.

Daí o Monge…

…e Urbano porque eu gosto de computador, celular, fone de ouvido, cinema, avenida paulista, metrô, bicicleta, amigos, filhos, maridos e mulheres dos filhos, netos, pessoas bonitas, alunos, orientandos e tudo mais.

Vou tentar ilustrar as postagens e ir colocando duas por semana, compartilhando e dando chance para as pessoas curtirem e eventualmente comentarem.

Apresentação

15 comentários sobre “Apresentação

    1. Especiais são as pessoas que passam / cruzam nosso caminho nesta vida tão curta, e vocês foram e são uma luz de significado tão imenso no nosso viver que tem sentido amplo de aprimoramento do espírito… para isto que nossas almas passam por aqui, para, encontrando outras almas assim como a vossa possamos nos aprimorar / melhorar e continuar nossas caminhadas… GRANDE ABRAÇO! como sempre textos primorosos!

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    2. cristiane otenio disse:

      Agradeço Professor o carinho que você e a Professora Ana tem por nós e agradeço em especial pelo carinho que vocês sempre tiveram com o nosso menino. Um forte abraço.

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  1. Noemi Garcia Galan disse:

    Prof. Fernando, parabéns pela iniciativa, gostei muito! Você é corajoso mesmo rsrsrsrs. Mas como te disse, as pessoas que amamos nunca morrem, permanecem eternamente em nossos corações e estão sempre ao nosso lado. É difícil perceber isso talvez porque aprendemos a valorizar muito mais a matéria do que a essência. Abraços, estarei te acompanhando no blog

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  2. Querido amigo Fernando Lefevre. Que bela opção num momento tão duro como o da partida de Ana sua amada companheira. O diálogo com o sofrimento, a doença e a morte são momentos de rara intensidade para arguirmos, das mais delicadas formas, a nossa própria existência e humanidade. Tem sido assim comigo ao longo dos anos e pude compartilhar alguns desses momentos com amigos tao caros como você e Ana – lembro vivamente da festa em família onde me levaram no Rio, num gesto de cuidado e afeto num momento muito difícil que atravessei. Hoje, monge urbano. A urbe que conecta e desconecta, o monge que religa. Aqui, neste espaço, tudo parece ter uma rara beleza. Se a dor te faz reviravoltas na alma, é uma gentileza com os que te querem bem, dividi-la sempre. Vou continuar a leitura.

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  3. Maria Angelica Hayar disse:

    Querido professor, seus textos sempre são brilhantes e inspiradores. Sua forma consistente e leve de se expressar aparecem em todas as suas escritas. Admiro sua coragem no enfrentamento pois,transmutar a dor em lindas reflexões, só revelam o ser humano íntegro que és e que merece todo o meu respeito. Um grande abraço.

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  4. Fernando, peguei o começo de seus escritos. Passei rapidamente por alguns textos e retornei ao início e me embebi do espírito condutor. Vejo sua proposta como intensa e corajosa… Intensa, pois é difícil falar de nós, quando estamos tentando abafar o nosso grito de revolta contra a perda de um ente tão querido, como foi a sua Ana … ao escrever, o contato primário é com a tela do computador (ou do note) e retrata as lembranças e as emoções que elas recriam… corajosa, pois escancara sua angústia que atormenta e que corrói. Como leitora, sinto empatia, também, por me fazer reviver sentimentos semelhantes (que consegui dominar um pouco com o tempo), e por lembrar, com suas palavras de coragem de luta, a superação de minha tristeza e revolta. Reagir e enfrentar é a melhor opção; dizer um “não” ao desalento é dar um “sim” à vida, a que devemos nos agarrar com toda força. Somos muito úteis para muitas pessoas queridas!!!

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